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Os índios, primeiros habitantes
desta cidade, já trabalhavam com o barro existente na constituição
geológica da cidade. O trabalho teve continuidade com as paneleiras
da roça que, dominando o barro, transformavam-no em peças
utilitárias (cerâmica caipira - este trabalho mistura arte, técnica
e dedicação).
As paneleiras, nome popular dado às mulheres que se dedicavam à
atividade da cerâmica, iniciaram seus trabalhos fabricando panelas e
potes de barro. Essa cerâmica era utilizada na vida diária da zona
rural. Haviam dezenas de paneleiras em Cunha e algumas buscavam
aperfeiçoar os objetos que fabricavam. A técnica utilizada era
basicamente indígena, inclusive no manuseio das colorações extraídas
da própria terra. Para alisar e dar contorno à cerâmica elas
utilizavam palha de milho dobrada, faca, sabugo de milho queimado e
raspado, caco de cabaça ou pedra roliça.
Peças que produziam: panelas, potes, moringas, bules, chaleiras,
colheres, garfos, jarras, canecas, cuscuzeiros, boiões, gamelas,
pichorras, fogareiros, fornos para torrar farinha, cofres,
porta-jóias.
A CERÂMICA CAIPIRA
A Dª. Benedita Maria da Conceição, conhecida com Dª. Dita Olímpia, é
a única paneleira em Cunha. Apesar da idade avançada, 92 anos, e da
dificuldade em conseguir, preparar o barro e queimar suas peças, ela
ainda faz seus potes, panelas, boiões, canecas, moringas, etc., arte
que ela aprendeu com a avó, Dª. Maria Leocárdia, aos 15 anos de
idade. Suas peças podem ser encontradas na CASA DO ARTESÃO.
Atualmente, existem cerca de 17
ateliers de cerâmica e 1 ateliê de pintura em porcelana em Cunha.
Cada artista com o seu próprio estilo, entre eles, trabalhos em raku,
mosaicos, painéis, esculturas, engobes, peças utilitárias,
decorativas e artísticas.
O ponto alto do processo é a Abertura de Fornada
realizada periodicamente pelos ateliês com a presença do público.
ABERTURA DE FORNADA - Uma Fornada de Cerâmica é o conjunto do
trabalho modelado em argila durante várias semanas que depois é
pré-queimado, pintado, esmaltado e finalmente vitrificado em
temperaturas próximas de 1.400º C em Forno Noborigama, com lenha de
eucalipto reflorestado.
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A Abertura de Fornada depois do esfriamento lento do forno é um
momento de júbilo e encantamento compartilhado, onde estão presentes
a energia acumulada nas etapas do processo cerâmico e a beleza
exclusiva e incomparável da genuína cerâmica de alta temperatura de
Cunha.
Noborigama - forno construído em uma rampa - palavra de origem
japonesa que quer dizer "forno que sobe".
- CASA DO ARTESÃO
Criada em 1988 no espaço onde funcionou o primeiro atelier de
cerâmica do Antigo Matadouro (de 1975 a 1982). Na Casa de Artesão se
congregam e comercializam artesanato e a cerâmica artística,
utilitária e primitiva. Há calendário periódico de exposições de
quadros e outros objetos artísticos. Podem ser compradas delícias da
terra como geléias e compotas, pão de mel, biscoitos e outros doces.
Rua José Arantes Filho, s/nº - Bairro Vila Rica - Abre diariamente
das 09:30 às 17:30 horas.
- MERCADO MUNICIPAL
Uma das mais antigas construções da Cidade. Aberto de 2ª a sábado
das 07:30 às 17:30 h e aos domingos e feriados das 07:30 às 12:00 h
- Centro
- MUSEU MUNICIPAL FRANCISCO VELOSO
Localizado no prédio da Rodoviária, o museu foi inaugurado há 15
anos. Neste centro de tradição e cultura o turista pode conhecer a
historia da Revolução Constitucionalista de 1932 e o folclore da
cidade. No espaço encontra-se também o acervo da cidade, o arquivo
público e a biblioteca municipal. Funciona de segunda a sexta, das
9:00 às 17:00 horas. |
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